"Era importante aumentar oferta de proximidade" de consultas para deixar de fumar

"Era importante aumentar oferta de proximidade" de consultas para deixar de fumar

É preciso reforçar o rastreio do cancro do pulmão em Portugal e também as consultas para ajudar a deixar de fumar. São alertas deixados neste domingo, Dia Mundial Sem Tabaco, uma das principais causas do cancro do pulmão.

Gonçalo Costa Martins - RTP Antena 1 /
Foto de Koa'link na Unsplash

A médica oncologista Ana Varges Gomes, coordenadora da comunicação do projeto EUnetCCC, a Rede Europeia de Centros Compreensivos de Cancro, defende que sejam mais universais as consultas para quem quer deixar de fumar.

“As consultas de cessação tabágica são muito importantes e temos pouca oferta”, considera, pelo que apela a um reforço: “Era muito importante podermos aumentar esta oferta de proximidade para as pessoas terem acesso”.

Entre as formas de aumentar a oferta, sugere que as videoconsultas e as teleconsultas são uma boa ferramenta.

“Acho que pode ser uma boa ferramenta para podermos disponibilizar esta opção para quem realmente quer deixar de fumar e precisa de ajuda, deveria ser mais universal”, afirma Ana Varges Gomes à RTP Antena 1.
O rastreio também não pode ficar para trás, sublinhando a médica que é uma das áreas em que Portugal poderia aprender com outros países. Por outro lado, afirma que o país se adiantou nas restrições ao tabaco.

Na opinião de Ana Varges Gomes, “até somos dos países com boas políticas (públicas) em termos das restrições de consumo de tabaco” implementadas “há algum tempo”.


“Na altura foram inovadoras, agora já praticamente todos os países da Europa têm mais ou menos as mesmas políticas”, acrescenta.

O problema é que são políticas que levam tempo a fazer efeito, apontando que pode levar mais de 10 anos a notar-se os reflexos da diminuição de hábitos.

“Os países do sul da Europa têm hábitos tabágicos mais marcados, portanto são os países que também acabam por ter maior incidência deste tipo de cancro”, sublinha também.


À frente da comunicação desta rede europeia, a médica oncologista refere que há dois projetos piloto a começar no rastreio do cancro de pulmão, um em Cascais e outro na região Norte.

“Estes projetos são exatamente para conseguirmos diagnosticar esta doença em estados mais precoces”, diz Ana Varges Gomes, lembrando que em cerca de 70% dos casos de cancro de pulmão o diagnóstico é feito em fases avançadas da doença.

Este tipo de cancro é o que apresenta maior taxa de mortalidade em Portugal e que mata, em média, 12 pessoas por dia.

Sobre a iniciativa EUnetCCC, o objetivo é reduzir as assimetrias regionais em cada país no acesso ao diagnóstico e ao tratamento de cancro, mas também atenuar diferenças entre os países europeus.

Ana Varges Gomes explica que um centro compreensivo de cancro é uma unidade que trata de cancro e que tem uma ligação à academia, a unidades de investigação.

“Ao criarmos esta rede europeia, quer dizer que a Europa fica muito mais forte para poder responder aos ensaios clínicos de uma forma assertiva e permitir que mais doentes europeus sejam tratados no âmbito de ensaios clínicos, o que para os doentes é uma mais-valia", descreve.

Em Portugal, o Instituto Português de Oncologia do Porto foi considerado o primeiro centro compreensivo de cancro, associado ao i3S – Instituto de Investigação e Inovação em Saúde, da Universidade do Porto. Varges Gomes afirma que está a ser trabalha a certificação para mais unidades no país.
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